Etiopatogênese das doenças da boca

Projetos incluídos na linha de pesquisa "Etiopatogênese das doenças da boca"

 

Análise de aspectos morfológicos e moleculares da articulação temporomandibular em má oclusão experimental

Responsável: Profa. Letícia Nogueira da Gama de Souza

A osteoartrite (OA) é a desordem temporomandibular de origem articular que mais acomete a ATM. Ela é caracterizada pela degeneração dos tecidos mineralizados e não mineralizados ao redor da articulação podendo afetar a cartilagem, o osso subcondral e a membrana sinovial causando remodelação, abrasão da cartilagem articular e deterioração. É estimado que 8 a 16% da população mundial sofra dessa doença na ATM. Ela pode ser causada por má oclusão que gera áreas de compressão na ATM por interromperem a correta distribuição das cargas mastigatórias. Nesse contexto, a síntese e degradação da matriz extracelular (MEC), através da atividade dos condrócitos, bem como importantes vias de sinalização, vem sendo descritos. Diante de um estímulo mecânico, pode ocorrer aumento da produção de enzimas, como as metaloproteinases da matriz (MMPs) que atuam processando componentes da cartilagem. Essas enzimas muitas vezes são reguladas por moléculas inibidoras como as TIMPs (inibidores teciduais de metaloproteinases), na tentativa de retomar o equilíbrio fisiológico das células e tecidos. Os estudos incluídos neste projeto visam avaliar o perfil de alterações estruturais e moleculares que a má oclusão pode promover na ATM.

 

Investigação de biomarcadores de progressão tumoral e prognóstico em câncer de cabeça e pescoço

Responsável: Profa. Sandra Lúcia Ventorin von Zeidler

Atualmente não existem biomarcadores que indiquem o comportamento tumoral em câncer de cabeça e pescoço (CCP), sendo o prognóstico determinado por parâmetros clínicos e histopatológicos. A heterogeneidade genética destes tumores tem dificultado a avaliação da progressão tumoral e a capacidade em predizer o potencial de transformação maligna dos tecidos de revestimento. Dessa forma, a terapia multimodal utilizada para o tratamento do carcinoma epidermoide de cabeça e pescoço é definida levando em consideração apenas os critérios clínicos e histopatológicos. No entanto, tem-se observado que a resposta ao tratamento é variada, mesmo em indivíduo com mesmo estadio clínico e tipo histológico, indicando comportamento tumoral distinto mesmo em tumores com características clínico-patológicas semelhantes. Em consequência deste modelo de terapia atual, muitas vezes os tratamentos são excessivos para alguns casos e insuficientes para outros, afetando diretamente a qualidade de vida dos pacientes e aumentando os custos do tratamento. Assim, a identificação de marcadores que definam o prognóstico em CCP é fundamental para auxiliar na conduta médica terapêutica. Os estudos incluídos neste projeto se propõem a avaliar a aplicabilidade de potenciais biomarcadores que atuem como indicadores de prognóstico, progressão tumoral e resposta ao tratamento em indivíduos com CCP e sua correlação com os aspectos histopatológicos e sobrevida.

 

Lesões benignas, malignas ou com potencial de malignização da região bucomaxilofacial

Responsável: Profa. Liliana Aparecida Pimenta de Barros

O espectro das patologias orais que se apresentam localmente agressivas é amplo e envolve lesões malignas e potencialmente malignas, assim como cistos e tumores benignos. Tais lesões apresentam graus variados de recidiva, dificuldade de definição das margens comprometidas, necessidade de tratamentos menos conservadores, prognósticos variáveis e um rigor no acompanhamento desses pacientes, considerados fatores desafiadores para os profissionais. Os aspectos clínicos e radiográficos dessas lesões, juntamente com a caracterização histopatológica e imunohistoquímica tem contribuído para o manejo desses quadros clínicos, adicionados a ferramentas auxiliares para o diagnóstico e prognóstico. Os estudos incluídos neste projeto buscam avaliar os aspectos clínicos, radiográficos, histopatológicos, imunohistoquimicos e grau de autoluminescência de lesões císticas, tumores benignos, desordens com potencial de malignização e tumores malignos da cavidade bucal.

 

Paracoccidioidomicose

Responsável: Profa. Tânia Regina Grão Velloso

A Paracoccidioidomicose (PCM) é uma micose profunda grave causada pelo fungo dimórfico Paracoccidioides (Pb). A espécie mais comum é o P. brasiliensis, porém recentemente foi descoberta uma nova espécie o P. Lutzii cujo perfil clínico anda não este definido. A infecção pode ser classificada em crônica “tipo adulto” ou disseminada “tipo juvenil”. A doença é restrita ao continente americano, onde o Brasil aparece com maior número de casos; no Espírito Santo a PCM é considerada endêmica. Representa um importante problema de Saúde Pública pelo alto potencial incapacitante e quantidade de mortes prematuras quando não diagnosticada precocemente. O diagnóstico da infecção inicia com a anamnese pelos sinais e sintomas sugestivos de PCM. A confirmação pode ser feita pela identificação do Pb em raspado de lesão, ou fragmento de biópsias. Também são utilizados testes sorológicos de Imunodifusão Dupla e Enzyme-linked Immunoabsorbent Assay (ELISA). Os testes sorológicos correlacionados com os aspectos clínicos podem auxiliar na compreensão da resposta imune ao Pb. A identificação e acompanhamento do tipo de resposta imune de cada espécie, bem como da evolução da lesão, com ou sem comprometimento neural, permitem compreender melhor o quadro clínico. Desta forma, contribui com aumento na segurança da suspeição diagnóstica, no direcionamento de exames complementares, com redução de gastos, e instituição de terapêutica mais eficaz e menos agressiva. Os estudos incluídos neste projeto se propõem a estudar a PCM quanto a epidemiologia, agente infeccioso, características clínicas, diagnóstico, tratamento e prognóstico.

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